RESUMO
A existência de água é condição indispensável para a existência de vida tal como a conhecemos. Perante o cenário das alterações climáticas, importa sensibilizar para a importância da utilização eficiente da água e para a conservação da biodiversidade.
Desde o século passado, os modelos de desenvolvimento económico usados pela humanidade têm exercido uma enorme pressão sobre o ambiente, com consequências evidentes, ameaçando a qualidade de vida e o acesso aos recursos naturais do planeta, em particular o acesso à água.
Existe muito trabalho feito, da ciência e tecnologia, que aponta para soluções de captação de carbono, adaptação a cenários de escassez de água, promoção da biodiversidade, agricultura sustentável, separação e reaproveitamento de resíduos.
As atividades do “Escola Viva” – Clube Ciência Viva na Escola, centrando-se nas temáticas antes referidas, pretendem incentivar a autonomia e o pensamento crítico e a participação cidadã e criar sinergias entre a Escola e a comunidade educativa no sentido de promover a literacia científica.
PALAVRAS-CHAVE: Água, biodiversidade, resíduos, sustentabilidade, participação.
INTRODUÇÃO
As Nações Unidas desde há várias décadas vêm apelando para a urgência de mobilizar os diferentes povos no sentido de encontrarem soluções para os problemas ambientais, presentes ou que ameaçam, a partir de uma visão integrada de desenvolvimento e de educação ambiental.
O Projeto Educativo do Agrupamento elege vários domínios de articulação curricular, de acordo com a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (2017), como a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a igualdade de género que enformam o projeto “Escola Viva” da Escola Secundária Carlos Amarante.
O Clube Ciência Viva na Escola contribuirá para a valorização do currículo não formal, com a dinamização de atividades que complementam os conhecimentos disciplinares e da educação para a cidadania promovendo uma “melhor escola”(PE 2019-2022 –AECA). A gestão destas atividades será baseada numa lógica interdisciplinar ou transdisciplinar, concretizando a autonomia e flexibilidade curricular na escola (Dec-Lei 55/2018 de 6 de julho) e o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Por outro lado, este clube pretende alargar o âmbito da educação levando-a a todos, através do aprofundamento de práticas mais inclusivas e de educação dos pais e dos encarregados de educação, promovendo uma “mais escola” (Dec-Lei 54/2018 de 6 de julho; PE 2019-2022 –AECA).
Assumindo a escola como local de preparação para a vida ativa e de educação ao longo da vida, projeta-se o clube “Escola Viva” de forma a possibilitar olhares holísticos sobre o conhecimento, incorporando áreas disciplinares diversas. O clube será alicerçado em técnicas de ensino experimental e de aprendizagem ativa, pretendendo desenvolver a autonomia e a participação cidadã.
No contexto da pandemia COVID-19, foi aprovado o Plano 21|23 Escola+, plano integrado para a recuperação das aprendizagens (Resolução do Conselho de Ministros n.º 90/2021) que reforça o acesso a recursos educativos para as escolas, nomeadamente, para a melhoria da aprendizagem de matemática, das práticas das ciências experimentais, das práticas da educação inclusiva e do fomento da literacia digital.
Através da sensibilização dos jovens para a criação de sistemas naturais, como ecossistemas de água doce na cidade, pretende-se indicar caminhos que aliviem a escassez de água prevista pelas alterações climáticas.
Por fim, estudos indicam que o género tem uma grande influência na mitigação e adaptação às alterações climáticas. Em processos de decisão, em grupo, sobre conservação do meio natural, a presença de mulheres garante uma maior proteção.
Por esse motivo e porque queremos combater qualquer tipo de discriminação, pretendemos monitorizar a participação efetiva dos alunos e alunas e agir de forma a corrigir eventuais desequilíbrios.
PROBLEMA
As alterações climáticas são uma grande preocupação atual e prevê-se que o seu impacto seja especialmente notório na Península Ibérica em termos de diminuição da precipitação e de recursos hídricos. A Agência Portuguesa do Ambiente, através da apresentação de um estudo em 2021 sobre recursos hídricos em Portugal, divulgou que a maioria do país está em situação de stress hídrico entre a escassez elevada e extrema. Segundo as previsões do referido estudo prevê-se uma redução no escoamento anual médio de 49% no volume da água dos rios e de menos de 29% de precipitação. A disponibilidade de água reduziu-se de 20% nos últimos vinte anos e prevê-se que a precipitação diminua 25% até ao final do século.
Os gastos de água têm como principal responsável o sector agrícola seguido do urbano. Nesse âmbito é preciso repensar formas de gestão da água mais sustentáveis. Para enfrentar as consequências das alterações climáticas em termos hídricos, propomos a captação da água das chuvas, sistemas integrados de utilização da água na agricultura e a reutilização da água residual. Propomos, também, uma plantação de árvores autóctones nas cidades e a reabilitação das áreas florestais.
ESTRUTURA GERAL DO PLANO DE INTERVENÇÃO
No ano letivo 2021-22 pretendemos instalar o clube e iniciar as atividades permanentes de comemoração e de sensibilização abertas à comunidade escolar e educativa.
No ano letivo 2022-23, prosseguiremos as atividades permanentes (manutenção das estruturas e dos sistemas), introduzir atividades experimentais, trabalhos de campo, oficinas e visitas de estudo e ampliar a participação dos alunos.
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Para o ano letivo 2023-24 projetamos a preparação da atividade “Ciência e Cidadania – Semana da Ciência” com a participação dos parceiros e dos alunos da escola secundária e da escola básica do agrupamento.
Para concluir, no ano letivo 2024-25 faremos um balanço dos trabalhos desenvolvidos e das metodologias usadas através da organização de um seminário intitulado “Metodologias e práticas para o ensino das ciências” em articulação com a escola EB de Gualtar e com os nossos parceiros, com a participação dos alunos e aberto à participação de outras escolas.
OBJETIVOS
Considerando a Escola como o centro da cidade, com este projeto pretendemos sensibilizar o cidadão para as questões do ambiente e da sustentabilidade através de um plano de atividades que o aproxima da natureza e que promove a biodiversidade e as boas práticas de utilização de água e de separação dos lixos, numa perspetiva de economia circular.
Em termos de modelos e metodologias, iremos privilegiar as abordagens educativas STEM e STEAM (Science, Technology, Engineering, Art, Mathematics) e as metodologias ativas de aprendizagem.
Em específico pretendemos:
1. Motivar para a aprendizagem das ciências;
2. Desenvolver as competências do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, em especial, o pensamento crítico e a autonomia através da abordagem educativa STEAM;
3. Promover práticas de educação não formal;
4. Enfatizar as relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade;
5. Implementar metodologias ativas de aprendizagem numa abordagem educativa STEM e STEAM;
6. Adotar e criar tecnologias digitais para ensinar e aprender;
7. Fomentar a igualdade de género e a inclusão;
8. Sensibilizar para o planeamento de base ecológica nas cidades;
9. Implementar técnicas de tratamento e reutilização de recursos naturais na escola;
10. Adotar boas práticas de desenvolvimento sustentável nas cidades;
11. Compreender o que é o clima;
12. Contribuir para a mitigação do impacto das alterações climáticas.
